domingo, 12 de fevereiro de 2017

ARTESANATO - CERÂMICA

Como dissemos no último post, provavelmente iríamos começar esta série sobre artesanato com uma das artes mais antigas da história da humanidade.  E é o que faremos: começamos com a "CERÂMICA". 

Dizemos "uma das artes mais antigas" pelo simples fato de que não temos ainda condições de afirmar que tenha sido a primeira. E provavelmente não seja mesmo. É bem possível, senão altamente provável, que entre outras, a pintura lhe tenha antecedido. E talvez a escultura rustica também, pois sabemos que em certa época da história, nossos ancestrais esculpiam em pedras suas armas e utensílios, como pontas de lanças, facas, estiletes, etc.

Mas, sem dúvida, a cerâmica está entre as mais antigas atividades da humanidade, não como arte ou artesanato, mas como uma forma de produzir utensílios de uso doméstico, como tigelas, canecas, moringas, panelas, etc. 

Outro fator que garante ter a cerâmica surgido mais tardiamente na história é que, para sua produção ela exige o uso do fogo e o manuseio deste elemento não nasceu com os primeiros humanos do planeta. O termo "cerâmica", aliás, deriva da língua grega e quer dizer "terra queimada" ou "queimar terra". Assim, cerâmica é o utensílio ou peça de barro ou argila, que depois de cozido adquire a dureza e resistência necessária para ser utilizado em sua finalidade.      

No princípio, essa queima era realizada de forma muito rustica, mas atualmente são utilizados fornos de alta tecnologia, principalmente, na produção industrial. No entanto, pequenos artesãos ainda se utilizam de técnicas rudimentares na queima de cerâmica artesanal. Na figura ao lado vemos a queima de vaso, canecas e algumas peças em formatos diversos, inclusive uma representado um animal.

E aqui exstem duas técnicas diferentes envolvidas no processo. Ouvimos muito falar em "oleiro". Oleiro é aquele que molda a cerâmica para lhe dar o formato desejado. E oleiro vem da raiz latina "ola", que se traduz por panela. Daí oleiro ser aquele que molda a panela e, por derivação, as demais peças de cerâmica. Olaria também deriva de "ola". Mas dissemos que existem duas técnicas para este processo. A primeira é a de "tornear" a peça; a segunda, de "moldar".

As peças circulares são feitas em um dispositivo chamado "torno" que, em sua forma mais simples é uma plataforma circular disposta sobre um eixo rotativo, movido pelos pés do artesão. Hoje, este eixo é acionado pelo uso de motores. Ao lado vemos um destes tornos em trabalho. A argila transformada em massa vai sento trabalhada pelas mãos do artesão até adquirir a forma pretendida. Depois de pronta, ela passa por um processo de secagem, antes de ser levada ao forno para queima. Só então ela adquire dureza e resistência para seu uso. Algumas técnicas permitem sua coloração antes da queima; outras, através de pintura depois da queima. Neste caso, existe a integração com a arte da pintura, muito comum nas peças produzidas pelos indígenas brasileiros.


As peças com formatos diferentes são feitas pelo processo de modelagem. O artesão molda as peças em diversos formatos e depois do processo de secagem, segue o mesmo procedimento de queima no forno. É muito conhecida no Brasil e no mundo a arte de Mestre Vitalino, que se utiliza desta técnica para a produção de suas peças. Neste processo também está presente uma outra forma de arte, que muito se aproxima da escultura.


Enfim, em ambas as técnicas, as possibilidades são infinitas, como vemos nas imagens a seguir.

Alguém poderá perguntar: o que tem tudo isso a ver com viver de hobby?

Bom, para muitas pessoas, a cerâmica é simplesmente um hobby. Moldar peças e cozê-las em fornos rudimentares é muito prazeroso quando conseguimos atingir as metas pretendidas. Peças para uso doméstico, para enfeite de jardim ou peças decorativos para o interior de residências são algumas das possibilidades que a cerâmica oferece.

Para viver desse hobby, as imagens apresentadas falam por si só. É evidente que as duas primeiras são prateleiras de lojas que vendem estes produtos. Só não dá para dizer que sejam dos próprios artesãos que as fabricam. Mas, mesmo que não sejam, são de revendedores que as adquirem de quem as confeccionam. Para ambos, o artesanato cerâmico acaba se transformando em fonte de renda. 

E como se aprende a fazer cerâmica? 

Para os autodidatas, existem informações suficientes em livros e revistas especializadas. Mas, no atual estágio das comunicações, basta paciência e persistência para encontrar na "internet" todo o material necessário para se aprender a praticar este tipo de artesanato. E é claro, muita inspiração para criar peças originais.

Por outro lado, existem muitas escolas também especializadas na arte de fabricar cerâmicas e na arte de pintá-las. Tentamos contato com algumas delas na intenção de obtermos autorização para divulgação, mas infelizmente, não obtivemos resposta, por isso, a abstenção destas indicações. Mas, descobri-las é muito fácil pela internet. Basta fazer a pesquisa pelos sites de busca em "escolas de cerâmicas", "atelier de cerâmica", "pintura em cerâmica", etc.

Existe um ditado popular para quando precisamos fazer alguma coisa, que diz: "é preciso botar a mão na massa".

Para aprender a fazer cerâmica, podemos mudar esse ditado para: "é preciso botar a mão no barro".

Simples assim: para fazer cerâmica é preciso meter a mão no barro.

Fazer o barro virar arte é o grande segredo da cerâmica. Vontade e persistência são os ingredientes mais necessários. Mas vale muito a pena ver um trabalho pronto.

Mestre Vitalino e seus seguidores que o digam. 

Fazer de uma das artes mais antigas do mundo uma forma de renda alternativa é possível. Viver apenas dela, nem se diga! É só meter a mão no barro!

Grande abraço a todos. Se gostarem, divulguem em suas mídias sociais.

Depois da publicação deste post, recebemos por e-mail autorização para divulgação do Ateliê Cecilia Akemi (para acessar clique aqui), que fica em Campinas e oferece  diversos cursos de cerâmica para públicos de diferentes faixas etárias, sejam iniciantes ou em nível avançado de conhecimento na área. As aulas são oferecidas em grupo em turmas semanais de manhã, tarde ou noite.
Cursos oferecidos
- Técnicas em cerâmica
- Torno elétrico
- Queimas alternativas: pit fire, raku, obvara
- Elaboração de esmaltes cerâmicos

Mais informações sobre aulas e horários disponíveis por e-mail: cecakemi@gmail.com
   
Também conversamos comDARLY PELLEGRINI, do ATELIER DARLY PELLEGRINI, e descobrimos que ela tem vários vídeos postados no youtube, vários deles ensinando técnicas de trabalhos com cerâmicas, inclusive, a modelagem de peças. Muito legal e vale a pena conhecer. Segue o link de um desses vídeos e através dele é possível acessar o canal com vários outros vídeos e mesmo se inscrever. Na descrição do vídeo constam os dados para acessar maiores informações. 







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